Sexta-feira, 21.12.18

Carros de madeira!

Fluíam-se entretanto o início/meados da década de oitenta!... Os dias de verão tórrido e a subsequência dos escaldões que se propagavam sobre as peles expostas da juventude ingénua, cuja moça ignorância cegava-se pela adrenalina duma geração pouco informada acerca das cautelas que lhes asseguravam dos males que hoje todos conhecem; em épocas de pouca informação oriunda dos computadores e do mundo virtual, estes que na altura se avistavam apenas em filmes de ficção científica; e, nos tempos em que a hiperatividade adolescente designava-se por maluquice, onde a birra e a baboseira nunca conheceram o seu verdadeiro psicólogo, a construção artesanal de carrinhos de madeira partia sempre do improviso dos jovens adolescentes, dos quais, a imatura criatividade dispunha apenas das mais simples e tradicionais matérias primas da localidade! As tábuas; os galhos de urze; os resíduos de pneus automóveis; bem como, os fios de arame e pouco mais, completavam o material necessário para dar início ao fabrico dos “meios de transporte”, que numa espécie de carros de corridas loucas nunca garantiram qualquer segurança à integridade física dos seus pequenos “chauffeurs”! Este já extinto património cultural partia do exemplo precioso e de um paradigma que fora herdado dos seus ascendentes, que serviu e de que maneira, para preencher os longos dias da borga; os outros tempos da brincadeira e da ocupação dos tempos livres! Foram costumes e tradições de outras décadas que com a chegada da evolução tecnológica tudo obteve o seu ponto final!...

 

Nunca sem antes serem carregados às costas que nem cangas animais até ao seu ponto de partida, na Atouguia e do cimo do Lombo, da montanha, à sua base, o calhau! Nomeadamente, “do jogo da bola” à serra d’água (onde recentemente fora construído o Hotel Saccharum), patenteava-se um dos trajetos dos tais carros de madeira, de fabrico artesanal, que estavam moldados para serem movidos em função da gravidade do planeta e onde a teoria da deslocação regia-se somente pelo velho ditado: " a descer todos os santos empurram"!

 

Estas corridas que por ladeira abaixo faziam-se por norma em grupos, longas e loucas, a alta velocidade imposta sobre a calçada irregular e inclinada; o barulho e os gritos de divertimento adolescente, bem como, o perigo exposto aos participantes e não só, por cada metro do percurso, via-se e ouvia-se! Sem dúvida, seria esta a “fanfarra” a causadora de um dos mais dormentes formigueiros no rabo que alguém possa ter registado em memória! Ao regresso no final, a todo aquele fastio sobreponha-se à canga de todas as engenhocas de madeira que por ladeira àcima tinham que voltar para casa..

 

- Quirino Vieira

 

Post em 2009

publicado por qvieira às 23:51 | link do post | comentar
Sexta-feira, 19.10.18

As "Santinhas"

As “Santinhas” eram duas irmãs, a Maria e a Maria!

 

Foram duas Marias irmãs de sangue, idosas de postura arrebitada e atlética, solteiras que sempre viveram juntas! Devotas da igreja católica e fiéis aos trabalhos de uma agricultura que lhes foi garantindo o sustento. Nas suas longas vidas prevaleceu a simplicidade! Muito organizadas eram as "santinhas" e com hábitos de bom zelo, generosas e bem educadas! Uma pilha de décadas na bagagem destas irmãs onde durante os tempos nelas se foi acumulando sabedoria aos montões!... Quilómetros a fio de água de giro para rega e milhares de sinfonias matinais entoadas pelos seus despertadores da capoeira (de minha má memória) foram preenchendo as suas bem determinadas missões e o fazer jus das suas partes na esfera dos vivos...

 

A mais nova sabia ler e escrever o quanto baste, a Maria! Já a outra não, a outra Maria, a mais velha, completava o cérebro das duas! Numa espécie de relações públicas desta dupla, era a mais velha que às representava! Apesar de entre elas tudo ser detalhadamente controlado pela outra mais arrebitada, a Maria mais nova! As santinhas eram pessoas sociáveis, davam-se bem com toda a gente! Tudo nelas parecia ensaiado! Peguilhavam-se, volta e meia a envolvente ao choque de ideias fervia, sou testemunha. Algumas vezes deste lado acenei no sentido de lhes repor a ordem! Era tudo sereno e fácil, tudo rapidamente se recomponha! Completavam-se uma à outra e tinham consciência de tal importância, tudo funcionou entre estas irmãs Marias como um sistema, onde unidas tudo se fundamentava.

 

O ritmo sincronizado e ligeiramente acelerado entre elas perfilou o frequente que às caracterizava! As correrias na alvorada precedente ao nascer do sol, nos seus campos agrícolas e os homens contratados às suas responsabilidades para trabalho de enxada, o terço rezado em voz alta ao cair das noites, iam preenchendo o velho ditado de “deitar cedo e o cedo erguer…” de duas vidas onde o longo ciclo se pautou por escassas mudanças de rotina!

 

A sombra das folhas das vinhas cheirosas e frescas de uva americana, que cobria o quintal do lar por elas compartilhado e os três ou quatro degraus da entrada que sempre serviram de assentos para o habitual repouso e observatório nas tardes escaldantes de verão, preencheram um cartaz de duas manas em que a harmonia se descarrilou com a partida da Maria mais velha!... A Maria mais nova hoje está ainda viva e em boas mãos!...

 

- Quirino Vieira, 17-10-2018

publicado por qvieira às 16:54 | link do post | comentar
Quinta-feira, 19.07.18

Horizonte infinito - ciclo da VIDA

Ao fundo e a perscrutar constante
Do mais que pode a visão alcançar
Remoto e infinito aos olhos distante
Risca o traço azul do céu e do mar

 

A outra banda de seu longo esplendor
Que da natureza o bem corresponde
Testemunha o fenómeno separador
Que se dá nele quando o Sol se esconde

 

Na escuridão generosa a Lua sempre vela
O horizonte fixo que mantém sua teimosia
Aguardando com quietude a coisa bela
De acordar esperto com a luz do novo dia!

 

O sobrevir do silêncio da madrugada
À fresca alvorada vem acrescer
O vermelho clarão da aurora sagrada
Revela o Sol estar prestes a nascer

 

A montanha de colorido arcado
Já com raios aos olhos encandear
Enceta o extenso dia adorado
De largas horas com Sol a brilhar!

 

Faça frio, vento, ou faça calor
Façam-se sinais da natureza munida
Será por linha encarar tudo com amor
Pois é este o ciclo que controla a VIDA

 

- Quirino Vieira

publicado por qvieira às 15:02 | link do post | comentar
Domingo, 12.12.10

Declaração

Mais um ofício daqueles que são assinados ao domingo:

 

 

 

publicado por qvieira às 15:25 | link do post | comentar
Quinta-feira, 21.10.10

A má imagem projectada para o exterior através das enxurradas e dos fogos na RAM

Não será propriamente necessário consultar quaisquer dados estatísticos para se perceber que a Internet nos últimos anos, através das redes sociais, é responsável pela conquista da mais elevada carteira de “fregueses” espalhados por todo o globo. É também, sem dúvida, o meio de comunicação que aumentou radicalmente, não só a capacidade de informação ao dispor dos seus utilizadores, como também a eficácia e a rapidez com que os conteúdos são garantidos ao destino. Acabou-se a Era dos sábios e dos cultos! Hoje, qualquer indivíduo, mesmo sendo através de um telemóvel barato, consegue aceder perfeitamente a uma vasta quantidade de informação sem que para tal necessite de formação específica e que para isso até está isento de qualquer custo adicional. É pena que da parte de alguns docentes/responsáveis pelo ensino, em alguns sectores da educação, ainda se resista demasiado a esta realidade… Os benefícios que este fenómeno revolucionário dispõe, que muito tem prendido multidões ao pequeno ecrã, são inúmeros. No entanto, e como dizia a Rebecca: “não há bela sem senão!” O lado negativo desta realidade é também devastador…

 

A louvada liberdade de expressão permite, infelizmente, que se passe para o exterior, com velocidade da luz, aquela imagem medíocre, pouco proveitosa e desnecessária, que vai contra os objectivos de uma Região que tem no turismo como uma das maiores fatias de recursos internos que podem garantir de forma sustentável a sobrevivência de um povo insular que cada vez menos irá depender de dinheiros externos.

 

No corrente ano; as enxurradas do 20 de Fevereiro; os fogos do mês de Agosto; a queda das bananeiras no Porto Santo, e agora, o medo de avistar um aumento no caudal das ribeiras devido a um fenómeno natural, em épocas de Outono/Inverno, chamado de precipitação, está a ser demasiadamente exposto. Tudo isto, projectado através de fotos e vídeos para esse mundo fora, espelha o estado ingénuo e deprimido em que se encontra a população residente neste cantinho do céu. Oculta a beleza que esta ilha proporciona através do seu excelente cenário paisagístico e esconde a pureza saudável que aqui se pode respirar durante todo o ano…

 

Os prejuízos que algumas águas podem causar, devido a possíveis transbordos dos seus percursos, são acontecimentos normais e são apenas erros que temos de corrigir. A prevenção de fogos no Verão é tudo uma questão de educação!...

 

O turismo nunca esteve, nem está teso! As publicidades vergonhosas que fazemos passar da nossa terra é que os assustam!..     

publicado por qvieira às 22:14 | link do post | comentar
Sábado, 10.07.10

Estádio do marítimo

Aquele que, no início, seria um projecto de turismo desportivo, e que por motivos alheios aos princípios a acautelar pela instituição, acabou por se extinguir. Aquele que, na altura, deixou comovida e escandalizada toda a massa associativa verde-rubra, dizendo-se traída pelas deslealdades derivadas da não cedência de terrenos por parte dos seus proprietários, que previamente por acordo e em fase de estudo, haviam prometido. Deixando, desta forma, clara suspeita de haverem sujeitos iludidos pela esfera do oportunismo mascarados de adeptos do clube. O imbróglio escandaloso criado à volta desta matéria e que tão mal ficou na fotografia, acabou por conduzir a preponderada promessa política à migração urgente do projecto para outros recursos alternativos. A sucedida novela, repleta de cenas dos próximos capítulos, para além de dividir adeptos do clube e cores políticas partidárias, misturou uma coisa com a outra. Toda esta sopa de agrião mal lavado acabou por conduzir à lógica prorrogação da conclusão da prenda centenária, prometida pelo governo ao clube. Ganhando, assim, a possibilidade de uma espécie de inauguração extraordinária que acompanhará as festividades do aniversário e que acontecerá, claro, antes da conclusão das obras. Acaba, também, a referida sopa, por colidir a execução dos trabalhos de investimento volumoso com a maldita crise que o país e a região atravessam, pondo em causa a aceitação da medida por parte dos madeirenses, nomeadamente os que vivem a situação de F grande, que podem ser mais dos que se possam imaginar...

 

Havendo a hipótese da provável implementação, por parte do governo, de portagens na via-rápida, que une a ilha toda, e de um aumento significativo no preço das entradas nos respectivos jogos, acabarão por ser os adeptos a pagar todo o desperdício acima descrito a dobrar! Foda-se…

 

 

Fotos da construção alternativa ao projecto: "Turismo desportivo"- Barreiros

 

 

 

Artigo criado ao abrigo da rubrica:

 

 

publicado por qvieira às 13:58 | link do post | comentar
Terça-feira, 22.06.10

Solta o Saramago que há em ti...!

A partir de hoje, o presente preclaro blogosférico passará a apresentar, com frequência ainda por definir, uma inovante rubrica: Solta o Saramago que há em ti...! A recente certeza terá como princípio os ricos mistérios da literatura portuguesa!...

 

   

 

 

 

Os referidos artigos serão identificados com a tag: portugueSar, acompanhada da faixa acima que será posicionada em rodapé dos aguardados argumentos.

publicado por qvieira às 14:25 | link do post | comentar
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