Os valores e o capitalismo

Os valores conquistam-se pela seriedade e pela flexibilidade com que acompanhamos o crescimento económico e social. É pena ser o poder político um sério responsável pela maior perda em relação a esses valores profissionais. As grandes empresas, o capitalismo, controlam o que por direito pertence a toda a sociedade. Está à vista de todos que os patrocínios das campanhas eleitorais provêm dessas empresas e que o fazem com objectivos futuros de benefícios próprios. O mau exemplo vem de cima. Mesmo num patamar profissional mais inferior, nos dias de hoje em que o consumismo é elevado, é difícil aplicarmos os valores desejados nas nossas profissões. Eu acredito que grande parte da percentagem da actual, lamentável, taxa de desemprego, causada pelas sucessivas empresas que “fecharam as portas”, devido a essas inclinações políticas, deva-se ao excesso de exposição e transparência dos seus próprios valores. Os golpes de inteligência numa sociedade cada vez mais manhosa e capitalista tornam vulneráveis aqueles que aplicam os valores desejados para em conjunto colaborar no crescimento da sociedade.

A multiplicidade e a complexidade dos problemas mundiais são tratados de forma controlada pelo capitalismo, pelas grandes empresas. O excesso de consumo de petróleo, e não só, obriga ao desrespeito pelo ambiente, à omissão, por parte de líderes mundiais, no que toca à sustentabilidade do planeta, à irreverência política perante os direitos humanos…
O Presidente dos Estados Unidos, Obama, numa luta contra a discriminação e racismo mundial conseguiu o que, outrora, a outros políticos de raça negra lhes custou a vida. Conseguiu convencer os americanos a elegerem-no ao mais alto patamar que um político pode atingir, a presidência dos EUA. Feito que posteriormente valeu-lhe o prémio Nobel da Paz… Porém, a recente Cimeira de Copenhaga vem provar que o capitalismo é mais forte e controla qualquer regime político. Os Estados Unidos estão com um pé atrás perante a luta urgente em defesa do ambiente, a protecção industrial exigida por quem controla o poder político ultrapassa qualquer interesse comum a todos… O capitalismo é o responsável pelas guerras políticas e religiosas, é responsável pelo aumento da pobreza, pela desumanidade e pelo controle da justiça…
Nota-se que as lutas em favor da defesa dos interesses comum a todos têm aumentado, a globalização, a facilidade com que, actualmente, a informação chega até nós ajuda também a que possamos, nós próprios, participar nessas lutas. As manifestações pacíficas, as campanhas, o aumento da informação relativa à urgência com que deve ser feito algo que sensibilize o capitalismo e que cada vez mais, este, recorra às energias alternativas… Uma Amnistia Internacional para que todos reflectissem e aos poucos herdassem a ideia que para continuar-mos a crescer necessitamos da colaboração de todos e até da colaboração mais importante, a colaboração do planeta…
Infelizmente, as recentes sucessivas catástrofes naturais alertam para uma resolução imediata que assola a humanidade: o problema da poluição e da falta de respeito pela natureza… Mais uma vez, uma sensibilização dos grandes capitalistas no que toca às energias renováveis, uma inclinação política com interesses proporcionais relativamente à humanidade, ao planeta e ao mundo económico. Será este o caminho a percorrer de forma séria, carregada de valores de interesse comum a todos. Uma justiça independente, menos controlada…“Na beira do abismo a melhor forma de andarmos para a frente é darmos um passo atrás”…
publicado por qvieira às 14:16 | link do post